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Carnaúba: tradição piauienses ameaçada pela falta de interesse das novas gerações

A extração da carnaúba, atividade tradicional e símbolo do Piauí, enfrenta um futuro incerto devido à escassez de mão de obra. Em Campo Maior, a atividade já foi o sustento de aproximadamente 1.500 famílias que dependem da extração da palha para a produção da cera. Esse número representa uma drástica redução em comparação com as […]

Lays Viana

A extração da carnaúba, atividade tradicional e símbolo do Piauí, enfrenta um futuro incerto devido à escassez de mão de obra. Em Campo Maior, a atividade já foi o sustento de aproximadamente 1.500 famílias que dependem da extração da palha para a produção da cera. Esse número representa uma drástica redução em comparação com as três décadas anteriores, quando o setor empregava o dobro de pessoas.

O principal motivo para essa diminuição é o desinteresse das novas gerações em continuar o legado familiar. A atividade, conhecida por sua baixa rentabilidade e exigência física, com exposição a altas temperaturas, se tornou pouco atrativa para os jovens.

No “Sossego dos Rocha”, um sítio familiar, vive Fábio Rocha, um patriarca de 93 anos e figura central de uma das famílias mais antigas de extrativistas na região. Mesmo enfrentando problemas de saúde, como um câncer de pele e dificuldades de audição, Fábio Rocha preserva memórias vívidas de tempos mais desafiadores, quando a extração da palha da carnaúba era realizada inteiramente de forma manual.

“Tirava, riscava, batia, botava no sol, secava, batia e tirava o pó. A cera a gente derretia”, relembra Fábio Rocha, descrevendo o processo artesanal que garantia o sustento de sua família, composta por cinco filhos, que também aprenderam o ofício apesar do incentivo ao estudo.

Genival da Rocha, de 61 anos, seguiu os passos do pai e teme que a tradição familiar se perca. “Eu tirei muita [palha] mais meu filho. As meninas também ajudaram, porque são três mulheres e um homem, e minha mulher riscava de 500 a 600 palhas. Tem os netos da gente, que parece que não vão [seguir] neste rumo, os velhos não aguentam mais”, lamenta o extrativista.

Genilson Visgueira, neto de Fábio Rocha, buscou uma abordagem diferente, empreendendo no ramo. Com o ensino médio completo, ele contrata auxiliares e utiliza uma caminhonete para o transporte da palha.

Apesar dos esforços de modernização, o interesse pela atividade continua baixo entre os jovens. Genilson reconhece que os desafios climáticos e a exigência física do trabalho são fatores que contribuem para esse desinteresse. “Está com dois anos que o calor está sempre aumentando. Hoje são poucos que estão trabalhando nesse ramo de palha. A geração mais nova não quer mais saber do extrativismo da palha. Nós mesmo é que ainda estamos de pé fazendo o extrativismo. Eu creio que daqui a mais uma temporada vai acabar se acabando”, conclui o extrativista, expressando a preocupação com o futuro da atividade que marcou a história de sua família e do estado do Piauí.

Fonte: portalclubenews.com

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