As audiências de instrução e julgamento do caso envolvendo a vereadora de Teresina, Tatiana Medeiros (PSB), continuaram nesta terça-feira (25), com a oitiva de testemunhas arroladas pelas defesas dos investigados. Até o momento, 14 das 25 testemunhas foram ouvidas. Uma das testemunhas convidadas passou mal e foi dispensada.
O foco do segundo dia de audiências foram as testemunhas de defesa do “núcleo familiar” investigado: a vereadora Tatiana Medeiros, seu companheiro Alandilson Passos, sua mãe Maria Odélia de Aguiar Medeiros, e seu padrasto Stênio Ferreira Santos.
Segundo o promotor de Justiça, os depoimentos confirmaram a relação amorosa entre Tatiana Medeiros e Alandilson Passos, “Ela foi abordada certa vez na cidade de Altos com ele. Quando ele foi preso em Belo Horizonte, ela estava no hotel, identificando-se como companheira. Outras pessoas também relataram esse relacionamento”, detalhou.
Contudo, os depoimentos apresentaram versões conflitantes sobre as acusações. O Ministério Público do Piauí (MPPI) investiga um esquema de compra de votos com listas de beneficiados, dados eleitorais e comprovantes de Pix. Algumas testemunhas de defesa alegam que os valores seriam referentes a doações voluntárias.
“Dentro das testemunhas ouvidas, tivemos várias versões. Alguns confirmaram que receberam dinheiro em troca de votos; outros relataram que era uma doação e que não havia pedido de voto explícito ou implícito”, relatou o promotor. Ele ressaltou que, mesmo com as negativas, os autos do processo contêm cadastros com nomes, títulos de eleitor e valores transferidos.
O primeiro dia de audiência ouviu 12 testemunhas de acusação indicadas pelo MPPI. A fase de oitivas continua nos próximos dias. As testemunhas dos demais réus serão ouvidas na quarta-feira (26) e quinta-feira (27). O interrogatório dos nove investigados está previsto para sexta-feira (28).
Após o encerramento da instrução, será aberto prazo para pedidos de diligências e alegações finais, antes da decisão da Justiça Eleitoral. O promotor Mário Normando adotou cautela sobre possíveis condenações: “Só depois que acabar a instrução pensamos em todas as provas e circunstâncias para considerar a culpabilidade”.
A investigação apura crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro. Além de Tatiana Medeiros, Alandilson Passos, Maria Odélia de Aguiar Medeiros e Stênio Ferreira Santos, também são réus Emanuelly Pinho de Melo (assessora), Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (irmã), Lucas de Carvalho Dias Sena (cunhado), Bruna Raquel Lima Sousa e Sávio de Carvalho França (funcionários da ONG Vamos Juntos). As acusações variam entre os réus.
Fonte: portalclubenews.com